quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Sínodo para a África: Proposições sobre o diálogo ecumênico e inter-religioso

Propositio 10 - Diálogo Ecumênico

No serviço da reconciliação, da justiça e da paz no continente, e em união com a Igreja universal, a Igreja em África compromete-se, mais uma vez, ao serviço do diálogo ecumênico e da cooperação. Um Cristianismo dividido continua a ser um escândalo, porque é contrário aos desejos do Mestre Divino, que pediu para que os seus discípulos fossem um (cf. Jn 17, 21). O objetivo do diálogo ecumênico é, portanto, dar testemunho do seguimento de Cristo e, simultaneamente, ir ao encontro da unidade cristã com aqueles com quem partilhamos a mesma fé, através da escuta da Palavra de Deus e na colaboração no serviço dos irmãos e das irmãs “num só Senhor… num só Batismo, num só Deus e Pai de todos” (Ef 4, 5-6). Consequentemente, o Sínodo louva os esforços feitos pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos em iniciar e manter o diálogo com outras Igrejas e comunidades eclesiais.

O Sínodo sabe que, embora a unidade dos Cristãos ainda não seja uma realidade, os Cristãos em vários países africanos juntaram-se em várias associações (como a Associação Cristã da Nigéria, o Conselho Cristão da Libéria, etc.) para realizarem obra se caridade em comum e salvaguardarem os interesses dos cristãos num estado pluralista moderno. O Sínodo louva tais esforços e recomenda que se faça o mesmo noutros países, onde semelhantes associações poderiam trabalhar pela paz e pela reconciliação. Do mesmo modo, o Sínodo convida a Igreja em cada Diocese ou região a assegurar que a semana dedicada à oração pela unidade dos cristãos seja assinala pela oração e por atividades comuns que promovam a unidade dos cristãos, “para que todos sejam um” (Jn 17, 21).

Propositio 11 - Diálogo inter-religioso

A paz em África e noutras partes do mundo depende muito das relações entre as religiões. Por isso é tão importante promover o valor do diálogo, de modo que os crentes trabalhem juntos em associações dedicadas à paz e à justiça, num clima de confiança e apoio mútuos, e as famílias sejam educadas para os valores da escuta paciente e do respeito mútuo.

O diálogo com as outras religiões, especialmente com o Islã e a religião tradicional africana, é uma parte integrante da proclamação do Evangelho e da ação pastoral da Igreja em nome da reconciliação e da paz. Em conformidade com a iniciativa do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, é altamente recomendado que se estabeleça diálogo com as diferentes religiões não-cristãs.

No entanto, porque a religião é frequentemente politizada, tornando-se causa de conflitos, é necessário e urgente um diálogo inter-religioso com o Islã e as religiões tradicional africana a todos os níveis. Este diálogo será autêntico e fecundo na medida em que cada religião partir da profundidade da sua própria fé e vá ao encontro do outro com verdade e abertura.

Os Padres sinodais rezam para que a intolerância religiosa e a violência sejam minimizadas e eliminadas por meio do diálogo inter-religioso. O importante encontro ecumênico e inter-religioso de Assis (1986) apresenta-nos um modelo a seguir.

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